Wednesday, 10 December, 2008
Casas vão abrigar famílias das etnias guarani, kaingang e xeta. Índios não poderão ceder, vender ou desvirtuar uso dos imóveis.
Do G1, em São Paulo
09/12/08 – 09h15 – Atualizado em 09/12/08 – 09h15
Índios das etnias guarani, kaingang e xeta ganham, a partir desta terça-feira (9), a primeira aldeia indígena urbana da cidade. De acordo com a prefeitura, a área de 44 mil metros quadrados abrigará 35 famílias originárias do Paraná e de Santa Catarina, que vivem atualmente na periferia de Curitiba. A inauguração da aldeia deve acontecer por volta das 9h.

Aldeia indígena urbana tem 35 casas dispostas em volta de uma praça (Foto: Divulgação/Prefeitura de Curitiba)
A aldeia, chamada Kakané Porá, ainda de acordo com a prefeitura, deve funcionar como um condomínio de casas, sem cercas divisórias. As casas estão dispostas ao redor de uma praça central para fortalecer o espírito comunitário e facilitar a prática de atividades como o artesanato e rituais próprios da cultura indígena.
De acordo com um termo de comodato entre a Prefeitura de Curitiba e a Fundação Nacional do Índio (Funai), as famílias não poderão ceder, vender, nem desvirtuar o uso residencial dos imóveis. O grupo terá incentivo para manter hortas e pomar e acesso aos programas oferecidos pela Funai e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Fonte: Site Globo.com – G1
Wednesday, 10 December, 2008
É preciso assegurar ao jovem uma trajetória de educação e preparação para o mercado, com condições e remuneração adequadas
Karina Andrade
Matéria publicada na Edição 12 – setembro / 2008 – Trabalhadores
O futuro de muitos dos 106 milhões de jovens latino-americanos e caribenhos está ameaçado pelo desemprego, pela informalidade e pela inatividade. O alerta está no relatório “Trabalho Decente e Juventude na América Latina”, apresentado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em setembro de 2007.
O relatório teve como objetivo aprofundar a análise da situação da juventude da região, um dos temas prioritários da Agenda Hemisférica de Trabalho Decente (AHTD), que reflete um compromisso de 23 países das Américas para a promoção do trabalho decente na região, entre eles o Brasil.
Mas, afinal, o que é trabalho decente, uma expressão tão discutida atualmente? Para a agência da ONU especializada em trabalho, a OIT, trabalho decente significa o trabalho produtivo e adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, eqüidade e segurança, e capaz de garantir uma vida digna.
Jovens no mercado
Em 2005, do total de 106 milhões de jovens na América Latina e no Caribe, 48 milhões trabalhavam, 10 milhões estavam desempregados (o que representa 46% do total de desempregados da região) e aproximadamente 48 milhões estavam na condição de inativos (não estão à procura de emprego).
Mas o desemprego não é o único problema que os jovens enfrentam no mercado de trabalho: entre os jovens ocupados, 2 de cada 3 trabalham em atividades informais ou em condições precárias de trabalho (cerca de 30 milhões), sem registro e sem cobertura da previdência social, e freqüentemente com remuneração menor que o salário mínimo.
Em termos de renda, um jovem ganha, em média, 56% do que um adulto recebe, fato que confirma que os perfis de rendimento crescem à medida que a idade avança.
Aliás, o que mais diferencia os jovens dos adultos é o tipo de emprego ao qual eles têm acesso. Um dos diversos fatores que limitam a utilização do potencial produtivo dos jovens é a visão bastante comum de que eles estão dispostos a aceitar qualquer tipo de trabalho ou atividade, independentemente da sua qualidade e condições, desde que isso lhes gere uma primeira experiência.
No entanto é importante deixar claro que a inserção precária e precoce da juventude no mercado de trabalho diminui a probabilidade, ou dificulta que esses milhões de jovens trabalhadores e trabalhadoras venham a construir uma carreira ou trajetória de trabalho decente ao longo de suas vidas.
A vida laboral dos jovens, ou sua trajetória de trabalho decente, não deve começar com um emprego ou um trabalho, mas com a educação, a formação, ou a acumulação de experiência produtiva (com um estágio adequado, por exemplo), primeiras etapas de uma trajetória de trabalho decente positiva.
Muitos jovens que não conseguem visualizar essa trajetória começam a questionar a validade da educação e do mercado de trabalho como meios para progredir. Isso é um erro.
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